domingo, 3 de julho de 2011

Primeiro dia
31/03/11

Sala negra, buraco negro. Sono. Meditei. Sono.
Andei pela sala, me movi através das articulaçoes, aqueci. Corri. Saltei os saltos que aprendi com o Edgar. Preparei o corpo. Para...

Para o vazio que assola um trabalho solo, uma página em branco, uma sala negra. Olhos, cadê vocês? Só consigo criar com olhos me olhando? Quanto sou capaz de me amar? De me desarmar? Percebo que tenho vergonha de mim. Percebo que preciso de um chefe pra poder criar.
Comecei a relembrar o solo que criei em Berlin. Sim, lá ele fazia todo o sentido, mesmo que eu não soubesse dizer qual era esse sentido. Era um sentido sentindo! Mas hoje, quando experimentei e relembrei os movimentos daquele solo inicial, percebi que não sinto mais. É cedo pra dizer? Talvez. Fiz só uma vez e me cansei, enjoei, os movimentos não ressoaram, não ecoaram fundo. Mas no próximo ensaio preciso me fixar mais a ele, repetir, repetir, até que ele volte a ficar orgânico.
Penso que o amor por mim mesma é o meu mote. É a minha necessidade de organização enquanto artista que está em jogo. É a minha disciplina e a minha autonomia. A minha necessidade de desenvolver o meu “método”, de fazer um apanhadão do que vivenciei e aprendi até aqui e ver como me viro a partir disso tudo. Super difícil.
Parei um tempo na cena da “bailarina”. Tem algo ali que me prende, um tema que me interessa. Uma vontade de elaborar isso. Acredito que no próximo ensaio posso desenvolver esta micro célula.
Mas sinto falta de um ponto de partida mais claro, mais concreto, uma ideia, um texto, uma música, algo assim. Preciso pesquisar.
Por hoje é o que temos.


Algumas referências da bailarina alemã Susanne Linke, à qual Sayô Pereira me introduziu...










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