terça-feira, 5 de julho de 2011

Ensaio 2 – 07/04/2011 – quinta-feira

Hoje teve Palo Santo!
Incensei a Sala 24 inteira e comecei a Saudação ao Sol (ou Surya A, na Ashtanga Yoga) e repeti quatro vezes. Respiração Aikido (Elias) acelerando o ritmo. Exercício coluna e homoplatas (Augusto Omolu). Exercício “abre do lado” e abaixa em flecha e alterna os braços (Augusto). Exercício ponta do pé, abaixa e braços pra dentro (Estelamare).
Deitei para me alongar e acabei dormindo. Sonhei com o Wagner e acordei dizendo “O Wagner não tem cabeça mesmo”!
Então coloquei a música do Satie e comecei a criar. A sensação mais forte que essa música me transmite é a de indecisão. De um lado pro outro. Quero isso, mas também quero aquilo. Altos e baixos. Justamente por seu refrão ser formado por notas quase iguais que se repetem, mas em intenções diferentes. Parece que sempre é possível ir pelos dois caminhos, mas nunca se escolhe um definitivamente. E precisa?!
• Levar “Ou Isto ou Aquilo” e ver o que acontece,
• Pensar nisso: “notas quase iguais que se repetem, mas em intenções diferentes” – algum movimento pode vir disto.
Em relação a isto da indecisão, cheguei ao seguinte texto, enquanto meu corpo corria para um lado e para o outro:
Me chamo Sofia tenho 24 anos mas isso não interessa.
Estou vestindo uma roupa preta que parece de balé, mas nao é.
Hoje? Nao sei.
Cinema? Ah legal, eu gosto! Que filme? (ando para um lado)
Teatro? (como se alguém estivesse me chamando, vou para o outro lado) Ah pode ser, eu quero!
Na Pinacoteca? Animal! Vamos! (para o outro lado)
Viajar? Mas quanto tempo? Um mês? Nossa, vamos? (anda para o outro lado, e assim por diante).
Casar comigo? Você quer casar comigo? Agora? Vamos!
Mas... eu preciso de um trabalho.
Garçonete? É, dá pra ganhar uma grana, mas
Teatro? Quero! Aceito!
TV? Ah, dá mais $ né? Puts...
Cinema? O que? Eu sempre quis fazer cinema!
Mas eu tinha dito que ia me casar,que ia no cinema, no teatro e me casar. Eu ia viajar também. (Pára)
Ai. Acho que vou ficar aqui.

Outra coisa que experimentei foi a questão da identidade que estava lendo no texto do Grotowski. Ele diz que o ator precisa saber sua identidade para atuar a partir das suas questões. Fiquei experimentando situações com meu RG, minha identidade mais óbvia, e que, ao mesmo tempo, não diz nada sobre a identidade das pessoas porque se trata de uma carteira verde, IGUAL PARA TODOS.

Depois, criei a seguinte partitura, que parte de imagens do solo de Berlin:

*Me passou agora pela cabeça criar algo com o tema BERLIM!

Bailarina sorri. Bailarina abaixa a cabeça, solta vestido, emburrada. Repete duas vezes esta ação. Bailarina bate o pé mimada, o braço sobe involuntariamente e quando desce o braço, ele tira a alça do vestido, deixando um seio a mostra. Braço volta trazendo alça pro lugar e mão vai na nuca, acaricia nuca e cabelo. Braço desce num impulso da nuca e leva o corpo pra se virar pro lado e aponta o dedo ameaçando alguém. Repete. Na segunda vez que aponta, grita, xinga ao estilo “papel amassado” da Minako. A outra mão acalma e embala a minha cabeça e vai me encaminhando e me acalmando até chegar no chão. Então começam os movimentos do “parto” do solo de Berlim. Duas vezes. Na terceira “nasce”- grito agudo, vai levantando o tronco e sentando, de costas para o público. Frieza. Vira a cabeça, olha para trás. Tira o lenço vermelho, joga. Vira, pega o lenço, poe na cabeça, sai andando com ele na cabeça. Espirra! Ele fica preso na boca. Cospe-o.







Necessidades:
Preciso de um texto.
Preciso de um mote.

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