quarta-feira, 13 de julho de 2011

5/05/2011

Programando-ME

Ensaio SOLO:
Incensar
Aquecer
Relembrar: “Portuguesa, Marguerita”
Partitura sem texto, com música, nomear movimentos. Ter o meu catálogo de movimentos, para que possa utilizá-los nos outros textos.
Pergunta norteadora do ensaio: qual a minha verdadeira pergunta?
Preciso de mulheres-referência. Mulheres-vivas-artistas-ou-não. Atuantes, sim.
Eu busco uma referência de mulher. Fujo em vão da minha mãe, caindo nos mesmos gestos, gostos, jeitos de falar.
Me visto como ela. Mania de organização. Apego ao de comer, de beber. Terra. Terra.
Reviver a mulher selvagem. Mulheres que correm com os lobos. Qual é o risco?
Amamentar um lobo que irá me devorar. Ainda assim, sustentá-lo, dar de mamar é instintivo. Deixá-lo viver. A partir de mim e para além de mim.
Mulher carnívora.
ENSAIO
Quadrado de fita crepe delimitando o espaço. Uma cadeira preta. Uma mesinha branca com um vaso e uma flor cor de rosa. Música: Noah’s Ark da CocoRosie.
Começo sentada na cadeira, com o braço dentro do vestido, como se estivesse vestindo, mas congelada. Olho para o vaso de flor.
Música começa.
Visto o vestido por inteiro, aproveitando cada passagem. Ando para o centro. Faço a “dança da bailarina triste” duas vezes. Na Terceira vez, vou andando para trás. Dou uma desembestada – levanto e abaixo o tronco algumas vezes, rápido. Paro no fundo, quase encostada na linha do fundo. Faço o movimento da “alça cai – peito a mostra”. Volto a alça, mão vai no fluxo do movimento, aponta para a flor, ameaça-a, duas vezes. Ódio da flor. Vou até ela, picoteio, despetalo. Como se ela fosse a bailarina, pego as pétalas, arranco. Então, recolho todas as pétalas e corro até subir na cadeira. De cima, deixo cair as pétalas como chuva ou como neve. Caio. Movimento “do parto”, tres vezes, dizendo “I, Ich, J’eu, Io, Yo, Eu. Nasce. Sento. Pego pétala por pétala que estão na minha frente, e vou jogando para trás, uma a uma. Respiração junto com cada uma.
Viro de frente querendo rir. Digo HAHAHA. Fico puta, bato a mão no chão e vou para o movimento “alça/peito”, ajoelhada.
(até aqui, só)

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